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Morre Vincent Lambert, francês que virou símbolo do debate sobre a eutanásia

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O francês Vincent Lambert, um tetraplégico em estado vegetativo há quase 11 anos, morreu nesta quinta-feira (11), poucos dias após a suspensão do tratamento que o mantinha com vida, ao final de uma longa batalha judicial.

O caso de Vincent foi símbolo de um debate em torno da eutanásia na França. Também expôs o conflito dentro da sua própria família: seus pais, fervorosos católicos, lutaram para manter seu tratamento, mas sua esposa e responsável legal, Rachel Lambert, era contrária.

Os médicos iniciaram a retirada do tratamento na semana passada, para cumprir uma decisão da Corte de Cassação, a maior instância jurisdicional da França.

“Vincent morreu esta manhã às 8h24 no hospital de Reims” (nordeste da França), afirmou seu sobrinho François Lambert, que expressou “alívio após anos de sofrimento para todo mundo”.

“Estávamos preparados para deixar que partisse”, completou o sobrinho.

Procurado pela AFP, Jean Paillot, um dos advogados dos pais de Vincent, Viviane e Pierre Lambert, confirmou a informação e disse que chegou o momento do “recolhimento”.

Símbolo sobre eutanásia

Lambert, um ex-enfermeiro de 42 anos que sofreu um acidente de trânsito em 2008, se transformou no símbolo do debate sobre a eutanásia na França. Em 2011, os médicos descartaram qualquer possibilidade de melhora e, em 2014, sua condição foi classificada como vegetativa.

Após a decisão judicial, em 2 de julho, os médicos interromperam o funcionamento das sondas que o alimentavam e hidratavam e administraram uma sedação profunda e contínua.

Em 2008, Vincent Lambert acabara de completar 32 anos e estava prestes a tornar-se pai quando sua vida mudou para sempre em um acidente de carro perto de sua casa, na cidade de Chalons-en-Champagne, região nordeste da França.

Tetraplégico e em estado vegetativo desde então, seu destino virou uma batalha legal que provocou uma divisão em sua família.

Seus pais, Viviane e Pierre, católicos devotos, lutavam para mantê-lo com vida, com a ajuda de advogados e de várias associações como o “Comitê Apoio a Vincent”.

“Anunciamos com o coração partido que Deus acolheu nosso amado Vincent”, declarou à AFP David Philippon, meio-irmão do paciente e também contrário à interrupção do tratamento.

Conflito na família

A mãe insistiu até o fim na tentativa de manter Vincent com vida. “Está minimamente consciente, mas não é um vegetal”, declarou Viviane na segunda-feira (8), em um último apelo por ajuda apresentado na ONU em Genebra, onde denunciou uma tentativa de “assassinato”.

Já a esposa de Vincent, Rachel, o sobrinho François e seis irmãos e irmãs do paciente denunciavam uma “crueldade terapêutica”.

Rachel afirmava que lutava para ver Vincent “livre” e pelo “respeito de suas convicções”. Ela disse que o marido havia deixado claro antes do acidente que não desejava ser mantido com vida artificialmente, mas não registrou a intenção por escrito.

Diversas avaliações médicas ordenadas pelos tribunais concluíram que Lambert não tinha nenhuma possibilidade de recuperação e que o estado vegetativo era irreversível.

Contexto internacional

O Comitê de Direitos das Pessoas com Deficiências da ONU havia solicitado à França que Lambert fosse mantido vivo enquanto o comitê organizava sua própria investigação sobre o caso. O governo considerou que esse pedido não era vinculante, ou seja, não viu como uma obrigação segui-lo.

O Vaticano, que costuma ser uma das vozes internacionais mais fortes contra a eutanásia, vinha acompanhando o caso de Lambert. Nesta quinta-feira, o porta-voz Alessandro Gisotti afirmou: “Acolhemos com dor a notícia da morte de Vincent Lambert”. Além de rezar por ele, o Papa Francisco disse, segundo o porta-voz, que “Deus é o único dono da vida, do início ao seu fim natural, e é nosso dever cuidar dela sempre, e não ceder à cultura do descarte”.

Ao contrário de outros países europeus como Holanda, Bélgica ou Suíça, a eutanásia ativa ou o suicídio ativo são proibidos na França. No entanto, a lei Léonetti, aprovada em 2005, prevê a possibilidade de interromper um tratamento em um caso de “obstinação irracional”.

Fonte: G1 

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